Clima e demanda impulsionam commodities agrícolas
No milho, o cenário europeu segue como ponto de atenção
No milho, o cenário europeu segue como ponto de atenção - Foto: Nadia Borges
Os mercados agrícolas iniciaram a semana em alta, refletindo mudanças no clima, ajustes nas expectativas de oferta e sinais de maior demanda internacional. As informações são do Rabobank.
Grãos e oleaginosas avançaram na abertura da semana, com o Bloomberg Grains Spot Index alcançando o maior nível em mais de um mês. O movimento foi sustentado pela virada nas previsões climáticas dos Estados Unidos ao longo do fim de semana, que passaram a indicar temperaturas mais elevadas nas próximas semanas, além de avanços positivos nas perspectivas para o comércio agrícola entre Estados Unidos e China.
No milho, o cenário europeu segue como ponto de atenção. A projeção para a safra do bloco continua se deteriorando diante de temperaturas recordes, que devem persistir ao longo desta semana. Nos Estados Unidos, os relatórios de estoques e área plantada do USDA também influenciaram o mercado, ao trazerem uma estimativa inesperada para a área total de trigo, abaixo do intervalo esperado pelos agentes.
Entre as commodities agrícolas negociadas em Nova York, o cacau e o café arábica registraram forte valorização em 6 de julho. Os contratos Sep-26 na ICE avançaram 13,1% no cacau e 16,2% no arábica. Segundo a análise, não foi identificado um fator fundamental isolado que justificasse a intensidade dos movimentos. A forte correlação intradiária entre os dois mercados e a presença de compras relevantes por fundos nas últimas semanas indicam que a atividade especulativa pode ter sido determinante, em meio a uma possível operação associada ao risco de El Niño.
No açúcar, o mercado ICE Sugar #11 teve o ritmo da semana anterior limitado, mas ainda assim encerrou com novos ganhos. A aceleração das monções na Índia reduziu parte do déficit acumulado de chuvas, mas os riscos ligados ao El Niño para a produção asiática seguem pressionando as estimativas de oferta. No Brasil, o etanol permanece pressionado, embora a possível confirmação de aumento na mistura obrigatória doméstica possa oferecer suporte ao mercado.